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Karma e Dharma

Quem labutou como escravo, pode voltar como príncipe, pela afável maneira e mérito adquiridos; quem reinou como rei, pode errar andrajoso, em virtude de ações e omissões havidas.

A Lei do Karma (ou karman, sânscrito) é a que determina a cada ação uma reação; à causa, um efeito; à distribuição, uma retribuição e, portanto, regula esse encadeamento ou a caus-a-ção, diretamente proporcional de toda atividade cíclica, física, emocional e intelectual ou espiritual, etc. de potência, ato, etc.

Física ou profanamente, karma significa ação; metafisicamente, a Lei de Retribuição, a Lei de causa e efeito ou de Causa ética. Nêmesis, apenas no sentido de mau karma. Karma também é conhecido como o décimo primeiro Nidâna ou causa de existência no encadeamento de causas e efeitos, no Budismo ortodoxo; mas também é o poder que governa todas as coisas, a resultante da ação moral, o samskâra ou o efeito moral de um ato submetido para a obtenção de algo que satisfaça um desejo pessoal.

Em cada encarnação temos um percentual a cumprir de karma acumulado. Ora esse percentual é cumprido ora não. Mesmo aqueles que cumprem esse percentual, digamos que seja 30%, infelizmente acabamos por inserir mais 60% (exemplo) de mau karma aumentando ainda mais o karma acumulado. Contudo, com as sucessivas encarnações, vamos EVOLUINDO e diminuindo esse karma acumulado. Para tanto, há que encarnar um número razoável de vezes e esse número existe.

Há o karma de mérito e karma de demérito. O karma não castiga nem recompensa; é simplesmente a Lei única, universal, que dirige infalivelmente e, por assim dizer, cegamente todas as demais leis produtoras de certos efeitos ao longo dos sulcos de suas causas respectivas. Quando o Budismo ensina que “o karma é aquele núcleo moral (de todo ser), o único que sobrevive à morte e continua na transmigração” ou reencarnação, quer dizer simplesmente que, depois de cada personalidade, não resta nada além das causas que esta produziu causas que são imorais, isto é, que não podem ser eliminadas do Universo, até que sejam substituídas por seus verdadeiros efeitos e por eles destruídas, e tais causas – a não ser que sejam compensadas por efeitos adequados, durante a vida da pessoa que as produziu – seguirão o Ego reencarnado e o alcançarão em sua reencarnação subseqüente, até que a harmonia entre efeitos e causas seja totalmente restabelecida.

Nenhuma “personalidade” é simples conjunto de átomos materiais e de peculiaridades instintivas e mentais – pode continuar como tal no mundo do Espírito puro. Só aquele que é imortal em sua própria natureza e divina essência, isto é, o Ego, pode existir para sempre. E, sendo o Ego aquele que escolhe a personalidade que vai animar, depois de cada Devachân, e aquele que recebe através de tais personalidades os efeitos das causas kármicas produzidas, o Ego, o Eu que é o “núcleo moral” já mencionado e karma encarnado, é o “único que sobrevive à morte”.

Pensamos, sentimos e agimos. A cada instante desenvolvemos forças no plano físico, por nossas atividades; emitimos desejos e sentimentos no plano astral e pensamentos no plano mental. O homem dentro do processo evolutivo torna-se uma fonte de causas e efeitos. Ele vive tridimensionalmente, ou melhor, envolvido por três planos distintos que se entrelaçam: os planos físico, astral e mental.

Tudo o que fazemos foi antes um desejo, que gerou um pensamento, que, por sua vez desenvolveu uma ação física.

Há duas forças que lutam dentro de nós: a força material com todas as experiências passadas, com todos os aspectos que se apresentam diante de nossos olhos (sexo, doenças, dinheiro, fome, etc.); e a força espiritual que, nascendo no homem, desperta pensamentos de amor, renúncia e resignação.

Quando estudamos os ensinamentos ocultos, compreendemos que os mundos físico, astral e mental, os quais entram em nossa constituição, são caracterizados por modificações constantes, não havendo no Universo Visível e Invisível coisa alguma fixa e imutável, tudo se apresentando num dinamismo contínuo, cujas transformações ligam-se entre si umas às outras por relação íntima de causa e efeito, que é a Lei do Karma.

O Dharma (sânscrito) é a Lei Sagrada; o Cânone búdico. O Dharma é a natureza interna, caracterizada em cada homem pelo grau de desenvolvimento no período evolutivo que vem a seguir. Esta natureza interna, posta pelo nascimento físico num meio favorável para seu desenvolvimento, é o que modela a vida exterior, que se expressa através de pensamentos, palavras e ações. Primeiro é preciso compreender bem que o Dharma não é uma coisa exterior, como a lei, a virtude, a religião ou a justiça; é a lei da vida que se desdobra e modela à sua própria imagem tudo aquilo que é exterior à mesma. A esta palavra, pois, foram dados inúmeros significados, tais como: Lei, religião, justiça, dever, piedade, virtude, mérito, condição, atributo, qualidade ou propriedade essencial; doutrina, credo; código, direito; conhecimento, sabedoria; verdade; prática; costume; bem; obra piedosa etc.

Dharma é também um dos nomes de Yama, deus da justiça.

O Dharmachârin (Sânsc.) é aquele que pratica a Lei; que é virtuoso, piedoso, justo e o Dharma-dezanâ (sânsc.), o ensinamento da Lei.

Publicado em: 2 de julho de 2018 por

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Sobre o Autor

Pedro Medeiros é Diretor Operacional do Núcleo de Ciências Herméticas Método Pedro Medeiros onde atua também como Professor e Hipnoterapeuta. Ver Mais

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